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Divisão de Honra: GD Alvaiázere surpreende em Marrazes

Jogadores em luta pela posse de bola - Leiria Foot

 Jogo na Aldeia do Desporto (Marrazes)

Árbitro: André Duarte (AF de Leiria)
Árbitros assistentes: Sylvie Filipe e André Mendes

Acção disciplinar: cartão amarelo a Marito (15), Pedro Simões (33), Tiago (35), Miro (49), Poeta (54), Fred (56), Sandro (71), Rosa (74), Nuno (84), Velosa (86), Luís Simões (87) e Tiago Sobreiro (90+2)

 
SCL Marrazes: Cacola; Tiago (Alberto, 61), Mário Wilson, Sandro (cap. – Yuri, 75)) e Pontes; Velosa, Leal e Nelinho; BA, Nunito (Fula, 61) e Zé Miguel
Não utilizados: Trindade, Nuno Sousa, Hugo Roda e Bruno Cabral
Treinador: Edgar Pereira

GD Alvaiázere: João Matias; João Palheira, Luís Simões e Pedro Simões (cap.); Fred (Nuno, 60), Poeta, Carlos Lima, Miro (Rosa, 70) e Flávio; Marito (Tiago Sobreiro, 55) e Ricardo Mobarq
Não utilizados: Valente, Tiago Almeida, Ramalhal e Bruno

Treinador: Paulo Neves

SCL Marrazes 1 - 2 GD Alvaiázere

O Marrazes foi supreendido em casa pelo Alvaiázere num jogo algo atípico, não só pelos cartões exibidos pelo jovem árbitro, como pela forma como os últimos minutos de jogo foram jogados. A partida até começou em bom ritmo, com o Marrazes a desenvolver um bom futebol, com jogadas de bom recorte técnico e a bola de pé para pé dos seus jogadores.
O Alvaiázere optava por um futebol mais rectilíneo, obrigando a defesa da casa a aplicar-se.Aos cinco minutos Marito num tiraço enviou a bola por cima da barra de Cacola e um minuto depois foi a vez de Nunito numa jogada individual obrigar José Matias a realizar excelente defesa.
BA num remata traiçoeiro fez brilhar o ‘goleiro’ visitante e Nelinho num livre directo fez passar a bola a quase beijar a barra dos visitantes.
O Alvaiázere perto do intervalo criou perigo mas o a bola foi ao lado da baliza anfitriã.
O segundo tempo começou praticamente com o golo inaugural dos visitantes, no seguimento de um canto, com Ricardo sem marcação a enviar de cabeça a bola para os fundos das redes de Cacola.A reacção dos donos da casa não se fez esperar e aos 48 e 50 minutos em livres directos criou grande perigo.
Porém, aos 58 minutos, numa excelente jogada individual de Ricardo Mobarq, ofereceu de bandeja o segundo golo a Tiago Sobreiro.BA, um dos melhores jogadores do Marrazes, conseguiu reduzir para 1-2 e as esperanças da reviravolta no marcador cresceram para os anfitriões.Só que alguns jogadores mais maduros dos visitantes, umas vezes com razão, outras não, simularam algumas lesões e enervaram e quebraram o ritmo aos donos da casa.
Curiosamente, estes podiam ter feito o 3-1 numa hesitação entre Sandro e Cacola, mas o resultado não viria a sofrer alteração não obstante o árbitro ter dado oito minutos de compensação.
Arbitragem irregular de um jovem árbitro com ‘pinta’ que também não teve a colaboração dos jogadores em muitos lances.
Crónica - Tuno Caranguejeiro 

Delmoro: ex-pupilo de Maradona acaba carreira no Distrital de Leiria

Estava-se no ano de 1994, cidade de Corrientes, Argentina. A pacatez suave da urbe é agitada pela chegada de Diego Armando Maradona. Ninguém acredita: Maradona aceita o desafio de um poderoso industrial local e torna-se treinador do Deportivo Textil Mandiyu. Consigo leva o histórico guarda-redes Sergio Goycoechea.  É a primeira experiência do Pelusa no cargo. Poucos meses após o escândalo de doping no Mundial dos Estados Unidos. No balneário, entre muitos nomes eternizados no anonimato, encontra-se Cristian Delmoro.
Num misto de fascínio e amedrontamento, todos escutam as palavras melífluas de El Pibe. A realidade vira fantasia e durante três meses a cidade de Corrientes vive e respira Diego Armando Maradona.

«Foi incrível. O clube era pequeno e ninguém nos ligava. De repente, havia milhares de pessoas e centenas de jornalistas a seguir o Deportivo. A direcção até vendia bilhetes para os treinos», recorda Cristian Delmoro ao Maisfutebol.

16 anos depois, este médio-defensivo acaba a carreira em Portugal, ao serviço do GD Alvaiázere, uma equipa do Distrital de Leiria. 16 anos entre o céu e o adeus.

«Ser treinado pelo Maradona é como ver Deus em pessoa ao nosso lado.»  Delmoro lamenta ter aproveitado tão pouco. Duas semanas depois, surge um convite do Equador e a verdura inconsciente dos 19 anos atira-o para longe da órbita de Maradona. Sobram as memórias e a saudade.

«Ele não é nada do que dizem. Nunca vi um treinador a dar tanto ao grupo de trabalho. É uma pessoa excepcional, especial, com um coração gigantesco. Tinha muitos problemas na altura, mas no trabalho diário ninguém notava nada», explica o argentino.

«Conhecemos pessoas que faziam 500 kms só para o ver treinar. O melhor do mundo, de todos os tempos, estava ali naquela cidadezinha quase no Paraguai. Tenho realmente pena de não ter ficado mais tempo e de ter privado mais com o grande Maradona.»

«A vida dá muitas voltas» e dois anos depois Cristian Delmoro chega a Portugal para jogar no Bragança. O primeiro de 12 clubes. «Depois fui para o Sourense e ainda estive no Câmara de Lobos, Estoril-Praia, Imortal, Fátima, Pontassolense, Abrantes, Sp. Pombal, Elvas, Madalena e Alvaiázere.»

Aos 38 anos o corpo impõe a paragem. «Não dá mais. Estou a trabalhar na área comercial de uma empresa em Leiria e já não consigo conciliar isso com os treinos diários.» 50 anos de Maradona: «Isso é que vai ser uma festa»

Diego Maradona completa meio século de vida no dia 30 de Outubro. A celebração vai encher Nápoles de pompa, circunstância e loucura. «Isso é que vai ser uma festa. Pode ser que ele me convide», diz Delmoro, numa sonora gargalhada.

«Na Argentina ninguém o esquece. É impossível. É o meu ídolo e torci muito por ele no Mundial da África do Sul. Olhava para o banco e lembrava-me dos tempos do Deportivo Mandiyu. Cada um de nós seguiu o seu caminho. Eu acabei aqui em Portugal, ele faz parte de todo o mundo.»

Cristian Delmoro formou-se no Quilmes, o mais antigo emblema da Argentina. As promessas exortadas pelos primeiros anos de futebolista esfumaram-se com o tempo. O destino foi-lhe farisaico, embora não haja queixas na mensagem de despedida.

«Diverti-me muito, aproveitei bem, cruzei-me com o Maradona e passei épocas excelentes em Portugal. Joguei com o Paulo Sérgio, treinador do Sporting, no Estoril-Praia. Estávamos na Liga de Honra. Na última temporada ainda marquei dois golos.»

E agora? «Agora estou a tirar o curso de treinador de II nível. Ah, e vou para o ginásio. Não quero engordar mais.»

Pedro Jorge Cunha - MaisFutebol