Sofia Vicente - Miguel Silveira Cabral
Sofia Vicente é jogadora da equipa feminina do Hóquei Clube de Turquel. Iniciou a formação no clube da sua terra aos nove anos, onde permaneceu até 2007.

Passou pelo Alcobacense e o GDR "Os Lobinhos" e regressou ao HCT na época 2008/2009, clube onde a sua equipa acabou de conquistar a Supertaça de Portugal. A também jogadora da Selecção Nacional deu uma entrevista ao site do HC Turquel onde fala do HCT e da experiência na Selecção.

 

"O meu desejo é continuar a representar o HCT" 


Acabaste de conquistar a Supertaça de Portugal pelo HCT. O que sentiste?
Senti-me muito feliz, como é óbvio. É a primeira vez que se ganha uma taça deste tipo e desta importância, principalmente por tê-lo feito a representar o Hóquei Clube de Turquel, que é o clube da minha terra.

Qual achas que é o significado para o clube? 
É muito importante visto que é uma supertaça, um troféu de alto gabarito, e é o primeiro título conquistado pelo HCT que nunca tinha ganho nada com equipas femininas.

Consideras um feito importante para a divulgação do hóquei feminino em Portugal?
Muito importante. No que diz respeito ao clube é importante, pois as equipas femininas do HCT nunca conseguiram ir mais além, e provámos que o conseguimos fazer, mesmo pertencendo a um clube considerado «pequeno». Para o hóquei feminino em particular, é um incentivo para que outras equipas de outros clubes saibam que é possível chegar lá. Existem poucas equipas femininas e com a desistência da Fundação Nortecoope, que era a melhor, o hóquei feminino ficou ainda mais pobre. É sinal que a nossa equipa está a crescer, tem ainda mais espaço para crescer e pode ser um exemplo.

Como foi a recepção em Turquel depois do jogo?
Foi espectacular! Todas as pessoas quiseram vir ao pavilhão fazer a festa e mostrar como o HCT é um clube unido e, todos juntos, remamos para o mesmo lado.

É muito importante para vocês o apoio do público, que tem vindo a crescer no que diz respeito à vossa equipa?
Sim, é muito importante, é sempre bom. O público que nos apoia é do melhor que há e ajuda-nos a ganhar jogos.

Passaste por outros clubes como o Alcobaça e o Lobinhos. Agora estás no HCT, o clube da tua terra. Sentes-te realizada?
Completamente realizada. Era aqui que eu queria voltar. Foi aqui que comecei a jogar, foi aqui que cresci e é aqui que quero demonstrar o que valho. O meu desejo é continuar a representar o HCT.

Qual a tua opinião sobre os novos reforços da equipa para esta época?
Quer como atletas, quer como pessoas, foi extraordinário, pois vieram reforçar muito bem a nossa equipa. Nós precisávamos de jogadoras mais experientes e elas têm essa experiência. Veio acentuar ainda mais a nossa vontade de crescer e mostrar resultados.

Como defines a tua equipa?
É uma equipa que neste momento é composta de jogadoras mais experientes e outras mais novas. Estamos no ponto certo para fazer um grande campeonato. No seu todo, a equipa funciona muito bem, com muita vontade de aprender e crescer.

O que pensas da formação do HCT?

Há uma grande diferença o número de atletas que temos agora e que tínhamos quando eu iniciei aos nove anos. Somos grandes e estamos a crescer de ano para ano, com excelentes treinadores, pois sem eles não chegaríamos a lado nenhum. O facto de a maioria dos treinadores serem jogadores da equipa sénior e serem da terra é um factor cativante e importante. Eles são o nosso orgulho.

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Sofia Vicente -  Foto de Miguel Silveira Cabral
Que idade tinhas quando foste convocada pela 1ª vez à Selecção Nacional? O que sentiste? 
Tinha 14 anos e fui chamada para o Campeonato Europeu de sub-19, onde Portugal conquistou o segundo lugar.
Nem tive reacção! Já tinha pensado no assunto mas nunca imaginei. Foi uma notícia maravilhosa. É o realizar de um sonho de qualquer atleta.

Foi esse o momento que mais te marcou até agora na tua vida desportiva?
Foi. O primeiro campeonato pela Selecção Nacional. Fica para sempre. Foi um orgulho enorme e ainda o é, sempre que sou convocada para defender as cores do meu país.

Portugal alcançou o 7º lugar no último Campeonato do Mundo, que se realizou em Outubro, em Espanha. Foi um campeonato difícil?
Foi porque era uma equipa muito nova e ainda inexperiente. Considero que o 7º lugar, para a equipa que tínhamos foi um bom resultado. Eram todas novas, só duas é que tinham mais experiência. Ainda estamos a crescer.

Qual foi o adversário mais complicado?
Foi a selecção Espanhola, nos quartos-de-final. Elas têm um hóquei completamente diferente em vários aspectos. A nível táctico, velocidade, experiência... Basicamente, o que faltou a Portugal e fez a diferença, foi a experiência, sermos mais maduras em pista.

Consegues conciliar bem a tua actividade desportiva com a escola?...
Não é fácil, mas quando se quer muito, deixa de ser tão difícil. O desporto não tem que influenciar negativamente os estudos. Quando há objectivos, tudo se consegue. Há sucesso. Acima de tudo é preciso ter cabeça e força de vontade.

Quais são os teus planos para o futuro? O estudo vai ser uma constante a par do hóquei?
Neste momento estou no 12º ano e penso ir para a Universidade para o ano, para um curso de Gestão. Está nos meus planos fazer os possíveis para conciliar a universidade com o hóquei . Era muito difícil ter de escolher entre as duas coisas.

Que conselho dás às atletas mais novas que pensam seguir uma carreira no hóquei?
O hóquei é um desporto completo que proporciona muitas alegrias, camaradagem e é uma escola para a vida. Se sentirem um bichinho e gostarem, pratiquem a modalidade e não desistam!

Entrevista - Site do HC Turquel